'Menos qualificados se beneficiam na retomada', diz Naercio Menezes Filho

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A recuperação da economia, mais forte este ano que o esperado, com previsão de expansão de mais de 3%, beneficia primeiro os menos escolarizados, diz o economista e professor do Insper, Naercio Menezes Filho. Leia a entrevista a seguir:

Os ganhos dos trabalhadores mais pobres estão crescendo. O que explica esse aumento?
Estamos entrando naquela fase de redução grande do desemprego, e os trabalhadores menos qualificados se beneficiam disso. São os primeiros a perder salário e emprego na recessão. Quando há uma recuperação contínua, como temos agora, acontece esse aumento de salário. O emprego está aumentando na construção, para entregadores. Mas é um movimento de curto prazo.

E como explicar a queda dos salários dos mais escolarizados?
Houve um aumento grande de oferta, mais gente se formando nos últimos dez anos e isso faz cair um pouco o salário. E o aumento do ensino a distância também pode explicar um pouco essa queda. Há oferta (de graduados), mas a qualidade não é boa. É normal, quando aumenta a oferta (de profissionais), o salário relativo cair.

Quem tinha ensino médio era quem mais ganhava na década de 1970. Agora virou o ensino superior. E vai acontecer (o mesmo) quando aumentar o número de pessoas com mestrado e doutorado. Diminui a desigualdade.

É sustentável?
Para se manter, é necessário um crescimento contínuo de produtividade, e por muito tempo. Assim, os menos qualificados também ganham, os filhos começam a ter renda maior que a dos pais. Mas isso tem que acontecer por muito tempo. O que vemos no Brasil é um crescimento rápido, aí vem inflação, os juros sobem, vem recessão. É o que vivemos há quatro décadas.

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